CADA POEMA É UM FRAGMENTO DO POEMA GERAL QUE QUINTANA VEIO COMPONDO
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quinta-feira

ESTE SILÊNCIO É FEITO DE AGONIAS

CATAVENTOS - Foto Marcos Serra Lima

Já há algum tempo que não postava nada de A Rua Dos Cataventos, primeira obra de Mario Quintana publicado em 1940. Aqui vai portanto o soneto VII dessa obra.
De quantas imagens poéticas é feito o silêncio. Que força fantasmagórica pode ter a imagem do silêncio. Talvez de uma fragata sem rumo apinhada de meninos mortos. Sim, o silêncio é feito de agonias.

Este silêncio é feito de agonias
E de luas enormes, irreais,
Dessas que espiam pelas gradarias
Nos longos dormitórios de hospitais.


De encontro à Lua, as hirtas galharias
Estão paradas como nos vitrais
E o luar decalca nas paredes frias
Misteriosas janelas fantasmais...


O silêncio de quando, em alto mar,
Pálida, vaga aparição lunar,
Como um sonho vem vindo essa fragata...


Estranha Nau que não demanda os portos!
Com mastros de marfim, velas de prata,
Toda apinhada de meninos mortos...

Mario Quintana in: A Rua dos Cataventos.

5 comentários:

piedadevieira disse...

Meu caro Bernardo,
adoro o Quintana, e passando por aqui encontrei seu espaço.
Que prazer estar com Quintana Eterno!
Abraços

Telma Monteiro disse...

Olá, Bernardo!

A Rua dos Cataventos - q obra deliciosa! Ave, Quintana!

Abrç!

MOISÉS POETA disse...

lindo o soneto de quintana , não conhecia . bom sabe-lo aqui !

um abraço!

Tais Luso disse...

Oi, Bernardo este poema já começa a ser agonizante pelo título, mas como é lindo... Passando por aqui para ler um pouco de Quintana, matar a saudade do meu poetinha.

bjs e até mais.
Tais Luso

Sedentário disse...

Essa imagem de QUINTANA é tão bela quanto o primeiro terceto do soneto que a compoe. Abraços!