CADA POEMA É UM FRAGMENTO DO POEMA GERAL QUE QUINTANA VEIO COMPONDO
DURANTE TODA A SUA VIDA

sexta-feira

BAU DE ESPANTOS


ESPANTOS

Neste mundo de tantos espantos,
Cheio das mágicas de Deus,
O que existe de mais sobrenatural
São os ateus



O maravilhoso espanto de viver por um só instante (in: Apontamentos de História Natural, 1976... em sua pobre eternidade os deuses desconhecem o preço único do instante...(in: Baú de espantos, 1986)

Analisando a obra Baú de espantos Antonio Hohlfeldt inicia pelo título: o baú é um objeto em geral, hermeticamente fechado, contendo coisas velhas e antigas. Nesse caso específico o baú contém espantos, espantos surgidos a partir da convivência com a realidade. Os espantos são uma espécie de revelação, um procedimento que ocorre repentinamente, por uma como que iluminação, e que poderá ser captada ou recriada (ou não) pelo leitor durante a prática do poema.
A morte e sua significação, bem como todo o jogo escatológico que animam toda a existência humana, persistem nesse volume, e por certo, não haveria razão para desaparecerem justamente aqui, quando o poeta se indaga (nós) a respeito do que é (somos).

Quem nunca quis morrer,
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar


Assim Quintana prossegue criando , poema após poema, livro após livro, até o fim de sua vida porque:

(...) um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...,

Um comentário:

lembrando Quintana disse...

E continuo a me espantar com tudo que leio e releio de Quintana...
Bjs.