
Dédalo de dedos.
Lanterninhas súbitas
Escutam as orelhas-de-pau.Ssssio...
O gigante deitado
Se virou pro outro lado.
A velha Carabô
Parou de pentear os cabelos
É o Vencido... são as duas mãos e a cabeça do Vencido que se arrastam.
Que se arrastam penosamente para o poço da Lua,
Para o frescor da Lua, para o leite da Lua, para a lua da Lua!
(Filha, onde teria ficado o resto do corpo?).
in: Aprendiz de Feiticeiro
Nesses versos, Quintana exercita sua capacidade de imaginar livremente, como criança, sem se importar com as verdades lógicas. O texto traz imagens que podem ser associadas a elementos naturais, como as “orelhas-de-pau” (espécie de fungo), as “lanterninhas súbitas” (vaga-lumes), ou a Lua. Ao mesmo tempo aparecem nos poemas seres que pertencem somente ao mundo simbólico, imaginário: “o gigante”, o “velho Carobô” e “o Vencido”. Como a criança, o poeta não faz diferença entre essas duas realidades, pois é capaz de deixar de lado a visão racional. Para um adulto uma mesa é uma mesa, sólida, resistente. Para a criança, ocorre de maneira diferente: Onde começa o real? Onde termina?
Análise de Doris Munhoz de Lima
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